Recentemente, na turma do quarto ano da Escola Primária Jinshi Xiwang, na vila de Penglou, distrito de Juancheng, província de Shandong, bastou o mestre nacional de patrimônio cultural imaterial Xie Xinjian apresentar suas obras de escultura em tijolo para que a sala de aula fosse tomada por exclamações de admiração. “Este pombo parece tão vivo!” “O leão é o mais imponente de todos!” As crianças correram até a frente da sala, cercando a mesa do professor e observando atentamente mais de uma dezena de esculturas, expressando curiosidade e fazendo perguntas. Sobre os simples blocos de barro cinza-azulado, leões erguem a cabeça, pombos parecem abrir as asas e qilins caminham entre nuvens, como se cada peça tivesse recebido vida.
Essa é a escultura em tijolo de Juancheng, conhecida como “a arte sobre os telhados”. Característica da região sudoeste de Shandong, essa forma de ornamentação arquitetônica surgiu durante as dinastias Ming e Qing, alcançando seu auge entre o final da dinastia Qing e o período da República da China. Durante o reinado do imperador Guangxu, da dinastia Qing, o artesão Xie Guangfang, natural de Juancheng, desenvolveu, após inúmeras experiências, uma técnica singular de escultura em tijolo, transmitida desde então de geração em geração pela família Xie. Em 2008, a escultura em tijolo de Juancheng foi incluída na segunda lista nacional do Patrimônio Cultural Imaterial da China. Diferentemente da escultura em tijolo de Tianjin ou da escultura em estuque de Guangdong, ela constitui uma tradição própria, preservando as características da modelagem popular em barro e da antiga cerâmica artesanal.
“A escultura em tijolo é uma importante forma de arte da escultura na arquitetura tradicional chinesa, e sua matéria-prima é o barro argiloso retirado do leito dos rios”, explicou Xie Xinjian aos estudantes. A criação de uma única peça exige mais de dez etapas, entre elas a seleção da argila, o preparo do barro, sua maturação, amassamento, moldagem da base, modelagem artística, secagem e queima.
“É preciso utilizar argila retirada de cerca de um metro de profundidade. Depois, ela passa um inverno inteiro sofrendo intemperismo natural antes de ser peneirada para remover as impurezas. Durante o preparo do barro, ele deve ser amassado repetidamente para eliminar as bolhas de ar e garantir uma textura uniforme”, explicou o mestre.
As esculturas dividem-se principalmente em dois grandes temas: personagens da ópera tradicional chinesa e motivos de flores, pássaros e animais. Enquanto as obras florais e de aves apresentam um estilo simples e espontâneo, as figuras da ópera impressionam pelo realismo. Segundo Xie Xinjian, na concepção artística são frequentemente empregadas deformações e exageros expressivos para conferir vitalidade ao barro. “O segredo da produção está em construir o ‘esqueleto’ da obra, ou seja, sua força, seu movimento e sua essência artística.”
Xie Xinjian começou a aprender essa arte por volta dos dez anos de idade, seguindo os ensinamentos de seu avô, Xie Xueyun, representante da terceira geração de herdeiros nacionais do patrimônio cultural imaterial. Em 2024, o próprio Xie Xinjian também foi reconhecido como herdeiro nacional desse patrimônio. Entretanto, com a popularização das casas de telhado plano e dos edifícios modernos, a escultura em tijolo deixou gradualmente de ser utilizada como ornamentação dos telhados.
“Embora tenha saído de cena como decoração arquitetônica, a escultura em tijolo jamais perderá seu brilho enquanto patrimônio cultural imaterial”, afirma.
Para revitalizar essa tradição centenária, Xie Xinjian participa ativamente de programas como “Patrimônio Cultural Imaterial nas Escolas” e “Sala de Aula do Patrimônio Cultural Imaterial”, ensinando voluntariamente a técnica em diversas escolas da vila de Penglou.
“Hoje muitas escolas de Juancheng oferecem disciplinas sobre patrimônio cultural imaterial. Levo minhas obras para a sala de aula e, às vezes, também barro para que os alunos experimentem modelar suas próprias esculturas”, conta.
Nas mãos das crianças, pequenos blocos de argila começam lentamente a ganhar forma. Em certa ocasião, um aluno mais brincalhão percebeu que havia um pouco de barro no rosto do mestre e, sorrindo, passou um pouco de argila também no próprio rosto. Entre risos e diversão, as sementes da tradição foram sendo plantadas silenciosamente.
Ao mesmo tempo, o distrito de Juancheng utiliza seu patrimônio cultural imaterial como base para desenvolver atividades de “patrimônio cultural + estudos educativos”, despertando nos jovens o interesse pela preservação dessas tradições. O governo local também apoia os herdeiros do patrimônio por meio de centros de estudo, oficinas e bases de pesquisa, incentivando o ensino, a formação de aprendizes e os intercâmbios culturais.
Hoje, a escultura em tijolo de Juancheng já não se limita aos telhados das construções tradicionais. Transformou-se em uma verdadeira obra de arte, e as peças produzidas por Xie Xinjian passaram a ser utilizadas como material de estudo em universidades como a Universidade de Artes e Design de Shandong, a Universidade de Liaocheng e a Universidade Normal de Qufu.
Da função de guardiã da arquitetura tradicional à condição de novo veículo de transmissão cultural, a transformação da escultura em tijolo de Juancheng representa um exemplo vivo da adaptação criativa e do desenvolvimento inovador da excelente cultura tradicional chinesa. Moldada pelo barro, pelo fogo, pela sabedoria popular e pelo profundo vínculo com a terra natal, essa arte continua demonstrando uma vitalidade extraordinária, escrevendo, na nova era, um novo capítulo de sua história de preservação e transmissão. (Fim)



