sexta-feira, abril 4, 2025

Arte com barro do Rio Amarelo ganha nova vida nas mãos de mestre artesão

Com apenas um punhado de barro, ele molda, pressiona, alisa e esculpe com precisão e concentração. Em poucos minutos, surge uma escultura com expressão vívida, quase ganhando vida própria. O responsável por esse talento é Liu Changwei, quinta geração da família Liu, herdeira da arte tradicional de esculturas em barro de Juancheng, na cidade de Heze, província de Shandong. Com dedicação e inovação, Liu dá uma nova cara a esse patrimônio cultural imaterial da cidade.

A técnica das esculturas de barro da família Liu surgiu no final da dinastia Qing. Por estarem localizados às margens do Rio Amarelo e usarem argila extraída a dois metros do subsolo, suas peças têm forte identidade regional e grande valor artístico. Crescido na região ribeirinha, Liu Changwei teve contato com a argila desde criança, aprendendo o ofício com o avô e o pai. A base é a tradição familiar, mas ele buscou ir além: estudou escultura em diversas instituições renomadas e integrou diferentes estilos ao seu trabalho.

As obras de Liu se destacam pelo equilíbrio entre expressividade e realismo. A maioria retrata cenas do cotidiano de comunidades às margens do Rio Amarelo, carregadas de elementos culturais da região. Com talento e sensibilidade, Liu transforma barro comum em representações detalhadas de figuras humanas — muitas ligadas ao budismo, taoismo ou à história chinesa — com rostos expressivos e postura viva. Seu estilo une o vigor das esculturas do norte da China com a delicadeza do sul.

Sabendo da responsabilidade de manter viva essa arte, Liu investe na formação contínua. Estudou em academias como a de Belas Artes de Tianjin e visitou centros de cerâmica como Jingdezhen e Zibo, trocando experiências com mestres escultores. Além disso, vem organizando e registrando técnicas antigas, reunindo obras de gerações anteriores e, principalmente, formando novos aprendizes.

Nos últimos anos, o governo de Juancheng intensificou ações para preservar o patrimônio imaterial da região. Uma das frentes é incluir a arte do barro da família Liu em atividades escolares, permitindo que crianças conheçam e experimentem essa tradição cultural de perto, criando conexões afetivas com a cultura do Rio Amarelo desde cedo.

Com talento e amor à arte, Liu Changwei desenha no barro o orgulho da cultura popular chinesa. E com políticas locais voltadas à preservação da identidade cultural, a antiga arte da escultura em barro segue viva, ganhando novos significados nesta era moderna. Tal como o barro do Rio Amarelo, moldado com o tempo, essa tradição se fortalece e se renova, tornando-se símbolo do presente e herança para o futuro.

(Foto: Reprodução/ Heze)

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